114 anos do naufrágio do Titanic: Por que o navio nunca foi tirado do mar?
Entenda os motivos que impedem a retirada dos destroços do Titanic do fundo do mar, mesmo após 114 anos da tragédia

Há exatos 114 anos, em 15 de abril de 1912, ocorria um dos desastres mais emblemáticos da História moderna: o naufrágio do Titanic. Após bater em um iceberg na noite anterior, o navio, considerado “inafundável” na época, afundou no meio do Oceano Atlântico, vitimando cerca de 1.500 pessoas.
Mesmo um século após o trágico naufrágio, os restos do Titanic ainda permanecem sob uma profundidade de 3.800 metros, localizado a cerca de 600 km a sudeste da costa da Terra Nova, no Canadá, sendo fruto da curiosidade de milhares de pessoas ao redor do mundo.
Mas, você já se perguntou por que o famoso navio nunca foi tirado das profundezas do mar, apesar do grande interesse público e depois de tantos anos?
Por que o Titanic nunca foi tirado do mar?
Existem uma série de motivos que fazem com que o Titanic permaneça no oceano por um século. Para começar, o Business Insider explica que os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido chegaram a um acordo de tratar o local como um “memorial marítimo”, conforme detalha a diretora de relações públicas da NOAA Research, Monica Allen.
Mais do que isso, muitos descendentes das vítimas da tragédia consideram o local um cemitério, já que inúmeras famílias nunca tiveram a oportunidade de reaver os restos mortais de seus familiares para a realização de um enterro em terra firme.
Outro ponto importante que impede a retirada do Titanic do fundo do mar é a deterioração dos destroços. Isso porque, ao longo dos anos, o navio, feito com milhares de placas de aço e dois milhões de rebites de aço e ferro forjado, foi dominado por bactérias que consomem o ferro, formando estruturas chamadas rusticles que já dominam toda a embarcação.
Segundo uma explicação de Clare Fitzsimmons, da Universidade de Newcastle, em entrevista à BBC em 2019 (via Aventuras na História), os rusticles são “uma forma muito mais fraca do metal” e extremamente frágeis, capazes de se desintegrar em pó. Além disso, as próprias correntes oceânicas e a corrosão salina também causaram danos nos escombros ao longo das décadas.
Muito mais do que a deterioração no fundo do mar, trazer o Titanic à superfície também causaria danos à conservação do navio, visto que, devido à diferença das condições no teor de oxigênio, por exemplo, o processo de corrosão pode ser acelerado.
Por fim, outro detalhe que impede a remoção da embarcação do Oceano Atlântico é o custo elevado da operação. Em 1914, por exemplo, o engenheiro Charles Smith desenvolveu uma proposta para tentar levantar o navio utilizando cabos eletromagnéticos, motores a vapor e guinchos. No entanto, a empreitada lhe custaria cerca de £ 1,5 milhão (valor equivalente a £ 210 milhões na cotação atual).
Dessa forma, levando em consideração o estado de conservação atual em que o navio se encontra no fundo do mar, somado às condições necessárias para trazê-lo à superfície, o projeto poderia ser muito mais complexo e caro do que a ideia inicial de Smith na década de 1910.