Heróis da Revolução Constitucionalista de 1932: Quem são os jovens do MMDC?
Conheça a história dos jovens por trás da sigla MMDC, importante movimento da Revolução Constitucionalista de 1932

Feriado estadual em São Paulo desde 1997, o dia 9 de julho celebra a Data Magna de São Paulo, que marca o início da Revolução Constitucionalista de 1932 e homenageia a resistência paulista e aos que lutaram no movimento armado em prol da democracia durante a Era Vargas (1930–1945), mudando não somente a história do estado, como também do Brasil.
Um dos movimentos mais famosos da revolução é o MMDC, que faz homenagem a quatro jovens paulistanos mortos por tropas federais no início do conflito.
Quem foram os MMDC?
Antes de tudo, é preciso entender o contexto histórico da época. Após o Golpe de Estado de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, dando fim à República Velha e à famosa “política do café com leite”, em que o Brasil era comandado por representantes das elites de São Paulo e Minas Gerais, os paulistas começaram a se ver em situação de inferioridade e insatisfeitos com as decisões políticas do novo presidente, que passou a nomear interventores aliados de outros estados para governar o território de SP.
Em 22 de maio de 1932, aconteceu o início das manifestações contra o governo Vargas nas ruas de São Paulo e de outros estados, pedindo pela formação de uma nova Assembleia Constituinte para a elaboração de uma nova Constituição e, consequentemente, a realização de novas eleições presidenciais.

Segundo informações da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), no mesmo dia, Oswaldo Aranha, ministro da Justiça da época, foi enviado pelo governo para a capital paulista para ajudar na escolha do novo secretariado para o interventor estadual, com o intuito de garantir que os interesses do presidente seriam atendidos. Sua chegada, no entanto, resultou em mais manifestações violentas, que passaram a contar com o apoio do exército e da Força Pública (que hoje corresponde à Polícia Militar).
Os secretários nomeados acabaram não sendo escolhidos por Vargas e, em 23 de maio, os paulistas voltaram às ruas do centro da cidade para novas manifestações pela vitória alcançada. Conforme repercutido pela Gazeta de São Paulo, relatos de testemunhas ao inquérito policial da época apontam que os manifestantes teriam decidido em um comício que iriam marchar até a sede da Legião Revolucionária, que tinha ligação com o governo de Getúlio Vargas, para depredá-la em forma de protesto, assim como já estava acontecendo com jornais governistas.
Ao se aproximarem do prédio, que era localizado na esquina da rua Barão de Itapetininga com a Praça da República, as tropas federais atiraram da janela em direção aos manifestantes, o que resultou na morte dos jovens Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, considerados mártires da causa Constitucionalista.
Com os falecimentos, criou-se o movimento MMDC, nomeado em homenagem aos manifestantes, que conspirava contra Getúlio Vargas e conduziu o levante armado iniciado em São Paulo no dia 9 de julho de 1932.
Heróis da Pátria
Entre os quatro, Dráusio Marcondes de Souza, que era o mais novo e tinha apenas 14 anos na época, foi o último a falecer, morrendo apenas em 28 de maio, chegando a prestar declarações ao inquérito policial enquanto ainda estava vivo.
Segundo detalhes do exame de corpo de delito, disponível no museu do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), também repercutido pela Gazeta de São Paulo, Antônio Américo de Camargo Andrade (32) foi morto com dois tiros; Mário Martins de Almeida (31) com cinco disparos; enquanto Euclydes Bueno Miragaia (21) foi atingido por uma única bala no peito esquerdo. Hoje, os quatro estão sepultados no mausoléu do Obelisco do Ibirapuera, na capital paulista.

No ano de 2009, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou a inscrição dos nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo no Livro dos Heróis da Pátria, obra em que ficam registradas as personalidades fundamentais para a história nacional. A publicação está em exposição permanente no Panteão da Pátria, em Brasília.
Além de estarem registrados no Livro dos Heróis da Pátria, os mártires também receberam outras homenagens ao redor do estado, com estátuas, monumentos e nomes de ruas, escolas e praças.