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Como foram os últimos dias de vida de Walt Disney?

Saiba como foram os últimos dias do renomado cineasta Walt Disney, que nos deixou há 60 anos

Walt Disney na década de 1960
Como foram os últimos dias de vida de Walt Disney? - Screen Archives/Getty Images

Dono de um dos maiores impérios da história da indústria do entretenimento, Walt Disney é reconhecido mundialmente por ser a mente genial por trás de animações que ultrapassaram gerações e parques temáticos que são o sonho de visita de milhares de pessoas ao redor do mundo, das mais variadas idades.

Infelizmente, há 60 anos, Disney nos deixou de forma súbita, em 16 de dezembro de 1966, aos 65 anos, em decorrência de um câncer de pulmão. Walt foi cremado e sepultado no Cemitério Forest Lawn Memorial Park, em Glendale, na Califórnia.

Mas como foram seus últimos dias?

Um ano antes de seu falecimento, Walt Disney vivia uma vida normal. Em 1965, comprou um terreno em Orlando, na Flórida, com o intuito de construir o seu mais audacioso projeto, o EPCOT (Experimental Prototype Community of Tomorrow, ou Comunidade Protótipo Experimental do Amanhã), uma cidade real e futurista, servindo como um laboratório de inovações sociais e tecnológicas. O local, no entanto, acabou dando lugar ao The Walt Disney World.

Com o decorrer do ano e a chegada de 1966, Walt seguiu se dedicando às obras daquele que era um de seus maiores sonhos. Em outubro de 66, conforme repercutido pelo portal The Disney Classics, o cineasta passou a sofrer com algumas dores que surgiram após ele sofrer um acidente enquanto jogava polo.

Ao procurar um médico, recebeu a orientação para realizar uma cirurgia nas vértebras cervicais com o intuito de aliviar o desconforto. Disney então marcou uma consulta pré-operatória para o dia 25 do mesmo mês, no Hospital St. Joseph, localizado em frente à Walt Disney Productions.

Walt Disney com sua família na década de 1950 - Gene Lester/Getty Images
Walt Disney com sua família na década de 1950 – Gene Lester/Getty Images

Apesar dos contratempos de saúde, Walt seguiu com seus compromissos, gravando e exibindo o programa “An Evening with Walt Disney” (Uma Noite com Walt Disney, em livre tradução) em 27 de outubro. Essa seria sua última aparição na televisão. Mais ou menos no mesmo período, o cineasta também viajou para Williamsburg, acompanhado da filha, Sharon, e do genro, Bob, para receber um prêmio da American Association of Forestry, onde aproveitou para esquiar e passar o Halloween.

Relatos apontam que, no mesmo mês, sua esposa, Lilian, durante uma visita à Dianne, filha mais velha do casal, teria dito: “Seu pai fez um raio-x outro dia, e encontraram uma mancha do tamanho de uma noz no pulmão esquerdo dele”.

Em 3 de novembro, já de volta à Flórida, Walt Disney teve uma consulta com o cirurgião pulmonar Dr. Bert Cotton, e marcaram sua esperada cirurgia para o dia 7, para a retirada de parte do pulmão esquerdo. Na véspera da operação, decidiu fazer uma visita de carro à Dianne e seus netos, indo direto para o hospital após passar um tempo com a família.

No dia da cirurgia, Sharon, Dianne e Lillian aguardavam o retorno do patriarca da sala de operações, quando receberam péssimas notícias do Dr. Cotton: o tumor entrou em metástase, ou seja, se espalhou do local original para outras partes do corpo, e ele não tinha muito tempo de vida. Walt ainda ficou mais duas semanas internado, mas nunca parou de pensar em seu trabalho e nas construções do EPCOT.

Walt Disney em janeiro de 1966 - Bettmann Archive/Getty Images
Walt Disney em janeiro de 1966 – Bettmann Archive/Getty Images

Durante o Dia de Ação de Graças, Disney passou o feriado na casa de Dianne e, depois, partiu para sua casa em Palm Springs, pois achava que, levando em consideração sua saúde debilitada, seria mais confortável por lá. No entanto, mesmo em um local mais tranquilo, sua condição física continuou deteriorando, com as dores ainda constantes, e ele foi obrigado a voltar para o hospital em 5 de dezembro, dia de seu aniversário, onde passou seus últimos dias.

Um relato de Dianne, compartilhado ao The Walt Disney Family Museum, diz como foi seu último dia, em 14 de dezembro:

“Na noite de 14 de dezembro, minha mãe me ligou para dizer: ‘Ele saiu da cama. Ele ficou me abraçando e o abraço dele era muito forte. Eu sei que ele vai ficar bem!’ Roy também ficou animado com a visita naquele dia. Ele contou como meu pai usava o teto do quarto, que era coberto com placas acústicas de trinta centímetros, como uma grade, e me mostrou toda a planta da Disney!”

Walt Disney faleceu às 9h35 no Hospital St. Joseph. Segundo o pronunciamento oficial do hospital na época, repercutido pelo Los Angeles Times, a causa da morte foi “colapso circulatório agudo”. No momento de sua morte, ele estava acompanhado de um cardiologista.

A série documental “Autopsy: The Last Hours of…”, de 2014, destaca que um dos motivos que pode ter causado o câncer de pulmão terminal de Disney foi o seu vício em cigarro, que carregava desde a juventude. Em relato, o animador Rolly Crump (Peter Pan, A Dama e o Vagabundo e A Bela Adormecida) declarou que o cineasta “fumava constantemente. Costumávamos dizer que ele acendia um cigarro com um fósforo de manhã e depois nunca mais usava outro, porque acendia cigarro com cigarro.”

Floyd Norman, também animador da Disney que trabalhou em filmes como “Mogli: O Menino Lobo” e “A Espada Era a Lei”, também destacou no documentário que “muitas vezes, durante as reuniões, Walt tinha um cigarro na mão. Não era incomum ele apontar para um desenho enquanto segurava um cigarro aceso.”

Daniela Bazi é jornalista graduada pela UNINOVE, e bruxa formada na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Amante de animações, filmes e séries, também é fã de divas pop, entusiasta da Disney e k-popper nas horas vagas.