Aprendendo a Lição: Entenda a proposta de políticos coreanos baseada no dorama

Descubra como departamento fictício de 'Aprendendo a Lição' se tornou projeto real entre políticos sul-coreanos!

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Aprendendo a Lição: Entenda a proposta de políticos coreanos baseada no dorama — Divulgação/Netflix

“Aprendendo a Lição”, novo dorama da Netflix, continua em alta na Coreia do Sul e ao redor do mundo — ocupando o topo de séries populares no catálogo brasileiro. Dirigida por Hong Jong Chan sob um roteiro escrito por Lee Nam Gyu, a produção conta com 10 episódios estrelados por Kim Mu Yeol.

A trama, que se baseia no webtoon “Get Schooled”, escrito por Chae Yong Taek e Han Ga Ram, gira em torno de um inspetor do Departamento de Proteção dos Direitos Educacionais (ERPB), que possui a autorização do governo para empregar intervenções físicas e métodos pouco convencionais a fim de disciplinar alunos problemáticos e reformar o sistema educacional.

Configurando-se na lista de títulos que abordam o sistema educacional sul-coreano, algumas das propostas apresentadas em “Aprendendo a Lição” para controle de abusos contra professores se tornaram pauta entre os políticos do partido democrático do país. 

Inspirado pelo Escritório de Proteção dos Direitos Educacionais mostrado no dorama, um grupo de estudos ligado ao Partido Democrático da Coreia propôs a criação de uma estrutura semelhante para dar suporte aos professores.

Na história, o órgão fictício atua para proteger educadores de alunos indisciplinados e pais problemáticos. Já a proposta real tem uma abordagem diferente, optando pela ideia de criar um departamento especializado para auxiliar professores em casos de denúncias, reclamações e processos judiciais relacionados ao exercício da profissão.

Segundo Lee Gyeong Ah, pesquisadora do Instituto para a Democracia, a popularidade do dorama reflete uma preocupação existente dentro das escolas sul-coreanas. Ela destacou ainda que, embora o órgão mostrado na produção seja fictício, os problemas enfrentados pelos educadores são reais.

O que mudaria para os professores?

Atualmente, muitos profissionais da área da educação precisam responder individualmente a denúncias feitas por pais ou responsáveis. A proposta sugere que essa responsabilidade seja compartilhada entre escolas, secretarias de educação e o próprio governo.

De acordo com Gyeong Ah, o principal objetivo é evitar que educadores se tornem alvos diretos de disputas. “O objetivo principal é impedir que professores individualmente se tornem alvo direto de reclamações e disputas, e designar as escolas, os escritórios regionais de educação e o Estado como as partes oficiais responsáveis por responder a essas reclamações“, explicou.

O plano prevê uma estrutura dividida em três níveis: um departamento nacional dentro do Ministério da Educação, centros regionais de apoio e equipes locais para atendimento direto às escolas. Assim, o órgão atuaria oferecendo orientação jurídica, mediação de conflitos e encaminhamento dos casos para as autoridades competentes.

Outro ponto discutido envolve denúncias consideradas abusivas ou repetitivas. Nesses casos, os professores não precisariam responder sozinhos às acusações. A análise passaria a ser feita por canais oficiais ligados às instituições de ensino e aos órgãos educacionais.

O documento também sugere apoio para situações em que medidas disciplinares adotadas por professores resultem em denúncias de abuso infantil, oferecendo acompanhamento jurídico e administrativo durante todo o processo.

Lee Jae Young, diretor do Instituto para a Democracia, diz que a discussão não deve ser vista como uma disputa entre os direitos dos professores e dos alunos.

Proteger os professores é proteger o direito dos alunos de aprender. Espero que esta proposta nos leve além da dicotomia entre os direitos dos professores e os direitos dos alunos, rumo a uma estrutura liderada pelo Estado que garanta ambos”, explicou.

A proposta também recebeu apoio de An Min Suk, superintendente eleito de Educação da província de Gyeonggi, que utilizou as redes sociais para afirmar ser necessário discutir medidas de proteção aos educadores, principalmente para restaurar a confiança dentro das escolas.