Qual é a princesa da Disney que existiu na vida real?
Descubra qual é a famosa princesa da Disney que existiu na vida real e talvez você não sabia

Quando falamos em princesas da Disney, logo pensamos nas histórias baseadas em contos de fadas, que sempre apresentam um final com o famoso “felizes para sempre”. Porém, existe uma personagem que se distancia dessa ideia e que realmente existiu: Pocahontas.
Pocahontas da vida real
Diferente da animação de 1995, a história da Pocahontas da vida real foi ainda mais trágica do que a versão apresentada nas telonas. Nascida em 1596, seu nome de batismo era Amonute, mas a garota também era conhecida como Matoaka, que, de acordo com o The Indigenous Foundation, significa “flor entre dois riachos”. Já seu apelido, Pocahontas, que significa “a brincalhona”, teria sido lhe dado devido à sua natureza alegre e curiosa.
Filha do líder supremo da tribo Powhatan, Amonute viveu na região conhecida atualmente como Jamestown, na Virgínia, Estados Unidos, e teve uma vida marcada por tragédia e violência.
Em 1607, quando tinha cerca de 11 anos, acompanhou a chegada dos ingleses na região, onde conheceu outro personagem que também aparece na animação: John Smith, com quem, na vida real, nunca teve um relacionamento amoroso. Na verdade, os colonos ingleses eram extremamente temidos pelos indígenas, sendo conhecidos por invadirem aldeias e renderem a população sob forte violência, exigindo comidas e suprimentos.

O Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos explica que o encontro aconteceu no inverno daquele ano, quando o Capitão John Smith, de aproximadamente 27 anos, foi capturado pelo tio de Matoaka e encaminhado para a execução na capital do território Powhatan, Werowocomoco. No entanto, momentos antes de tirar a vida do colono, a pequena Amonute teria se colocado em sua frente e impedido a morte.
Conforme descrito no site oficial do serviço americano, a cena, de fato, teria sido similar à apresentada na versão da Disney. No entanto, a veracidade do evento ainda é questionada por historiadores há anos. Enquanto alguns defendem que o momento aconteceu, outros defendem a ideia de que, na verdade, Smith nunca esteve em perigo e que o acontecimento teria sido uma “cerimônia de adoção”, com o chefe Powhatan o acolhendo como parte da tribo e dizendo que o “estimaria para sempre como seu filho Nantaquoud”.

O que realmente se sabe é que, após o encontro, John Smith foi liberado de Werowocomoco e retornou para Jamestown, com o Chefe Powhatan enviando presentes para os ingleses famintos. Geralmente, os agrados eram enviados acompanhados da própria Pocahontas, que aproveitava as visitas ao forte para brincar com os jovens ingleses, dando cambalhotas. Com isso, Amonute foi considerada uma figura importante para a diplomacia e a paz entre os dois povos.
Contudo, entre 1608 e 1609, a relação entre indígenas e ingleses passou a se deteriorar cada vez mais. Matoaka foi proibida de visitar os colonos em Jamestown e, no outono de 1609, Smith deixou a Virgínia após um grave ferimento. Apesar de ter sobrevivido, para Amonute e seu pai, a notícia que chegou é de que ele havia morrido.
Casamento e sequestro
Ao atingir os 14 anos, Pocahontas já era considerada uma adulta e pronta para se casar. Foi assim que ela firmou matrimônio com Kocoum, personagem que também aparece na animação como pretendente da protagonista. Porém, na vida real, não existem muitas informações sobre o homem, além do relato do escritor inglês William Strachey, que o descreveu como um “capitão mercenário”.
Em 1613, Amonute enfrentou um dos momentos mais traumáticos de sua vida: foi sequestrada pelo navegador Samuel Argall, sendo utilizada como moeda de troca para que o homem conseguisse alguns prisioneiros de seu pai. Foi durante seu tempo como prisioneira que ela aprendeu a língua inglesa, a religião e os costumes, e conheceu o viúvo John Rolfe, com quem se casaria.
John tinha 28 anos e foi um dos nomes responsáveis por introduzir o tabaco como cultura comercial aos colonos da Virgínia. Relatos repercutidos pelo Serviço Nacional dos Parques apontam que os dois acabaram se apaixonando e decidiram se casar.

Em 1614, Amonute se converteu para o cristianismo, passando a se chamar Rebecca, e se casou com Rolfe. A união é considerada o primeiro casamento entre um nativo americano e um europeu já registrado, resultando na “Paz de Pocahontas”, uma trégua nos conflitos entre os ingleses e os índios Powhatan.
Juntos, John e Pocahontas tiveram um filho, Thomas, e, em 1616, a nativa visitou pela primeira vez a Inglaterra. Lá, percorreu várias cidades do país, assistiu a um baile de máscaras, sentando-se próxima ao Rei James I e à Rainha Anne, além de finalmente se reencontrar com John Smith.
No ano de 1617, a família Rolfe decidiu voltar para a Virgínia. Porém, infelizmente, Amonute ficou gravemente doente e faleceu aos 21 anos. A causa de sua morte permanece um mistério até hoje. Pocahontas foi sepultada na Igreja de São Jorge, em Gravesend, no dia 21 de março de 1617.