O Filho Vermelho: A outra versão do Superman que muitos desconhecem
Com roteiro audacioso, história em quadrinhos mostra o Superman assumindo o controle da antiga URSS e isolando os EUA

O universo dos quadrinhos é mestre em criar realidades alternativas, mas poucas histórias foram tão audaciosas quanto aquela que ousou mexer no maior símbolo do patriotismo americano: o Superman.
Estamos falando lendária história em quadrinhos “O Filho Vermelho” (conhecida no Brasil como Superman – Entre a Foice e o Martelo). O título, que reimagina o herói mais famoso do mundo como um defensor da causa comunista, rapidamente se transformou em um verdadeiro fenômeno de vendas no país.
Foice, martelo e o celeiro da União Soviética
A premissa criada pelo renomado roteirista Mark Millar quebra totalmente a mitologia clássica do personagem. Em vez de cruzar os céus americanos e cair no coração do Kansas, a nave que carregava o último sobrevivente de Krypton faz um pouso paradoxal em uma fazenda coletiva na Ucrânia, o celeiro eleitoral do antigo bloco soviético.
Essa mudança geográfica altera completamente o destino da geopolítica mundial. No peito, o herói deixa de carregar o tradicional “S” — que em seu planeta natal significa Esperança — para ostentar orgulhosamente a foice e o martelo.
A propaganda do Kremlin não demora a adotá-lo como o maior símbolo do potencial militar soviético, um herói da classe trabalhadora que chega a presidir desfiles na Praça Vermelha ao lado de Josef Stalin, do alto do Mausoléu de Lenin.
Segundo os editores locais, a narrativa foi muito bem recebida por fugir dos estereótipos ocidentais comuns. O roteiro não se limitou a clichês superficiais sobre ursos polares e balalaicas, entregando uma trama política complexa e respeitosa.
Reviravoltas na Guerra Fria e o destino final da Terra
Dentro desse caldeirão ideológico, figuras conhecidas da DC Comics ganham roupagens completamente subvertidas. A jornalista Lois Lane surge como esposa do brilhante cientista Lex Luthor, que se mantém obcecado em destruir o alienígena. Em outras frentes, o Superman precisa lidar com um Batman transformado em um terrorista que usa gorro de neve e uma frota comandada pelo Lanterna Verde.

Apesar de se tornar o líder supremo da União Soviética após a morte de Stalin e expandir o comunismo para quase seis bilhões de habitantes — isolando os Estados Unidos como o último reduto capitalista falido —, o Superman de Millar não é um vilão linear. Ele se recusa a atacar o território americano e chega a salvar Nova York de um míssil desgovernado, afirmando que luta apenas “no grupo do bem”.
Contudo, o desfecho da HQ reserva a maior surpresa para o leitor. Após ser aparentemente derrotado por Lex Luthor, cientista que quer dar fim ao herói, ele encara um confronto final que o obriga a forjar a própria ausência e abandonar o planeta para evitar a destruição total. Assim, o Homem de Aço chega a uma conclusão profunda.
O Superman percebe que a humanidade não precisa de um “Grande Irmão” ou de um tutor alienígena e, ao se retirar de cena, permite que os próprios seres humanos evoluam por conta própria até se tornarem a espécie mais desenvolvida de todo o universo.