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Mistério da Jules Rimet: A taça da Copa do Mundo que desapareceu há 43 anos

Conheça a história por trás do misterioso paradeiro da Jules Rimet, a primeira taça da Copa do Mundo

Capitães brasileiros campeões do mundo, Mauro (1962) Carlos Alberto (1970) e Hilderaldo Bellini (1958)
Mistério da Jules Rimet: A taça da Copa do Mundo que desapareceu há 43 anos - David Cannon/Allsport/Getty Images

Antes do troféu que conhecemos hoje, a Copa do Mundo FIFA, principal competição do futebol, contava com outra taça: a Jules Rimet, utilizada de 1930 a 1970, quando foi entregue definitivamente ao Brasil após se tornar o primeiro tricampeão do mundo.

A estatueta foi desenvolvida em 1928 pelo escultor francês Abel Lafleur, com um design que faz referência à Nike, deusa grega da vitória. Por este motivo, inicialmente, ela era conhecida como “Deusa da vitória”. Em 1946, foi rebatizada como Jules Rimet em homenagem ao terceiro presidente da FIFA e um dos criadores da maior competição.

Sendo um dos objetos mais desejados do mundo, a taça carrega em sua história dois momentos curiosos: foi roubada por duas vezes e, hoje em dia, seu paradeiro é um verdadeiro mistério para o mundo inteiro.

Os roubos da Jules Rimet

O primeiro roubo aconteceu em 20 de março de 1966, em Londres, quando a taça estava em exposição no país para a Copa do Mundo da Inglaterra, que se iniciaria em quatro meses. Apesar do forte esquema de segurança, o item simplesmente desapareceu sem que os dois vigias que estavam no local vissem nada.

A situação parou o país, dando início a uma caçada por todo território, contando até mesmo com a ajuda de investigadores da Scotland Yard. Após dias de ansiedade e angústia, um homem que se identificou como Jackson enviou um pedido de resgate, solicitando que fossem pagos £15 mil em notas de £1 e £5, ou então ele derreteria a almejada Jules Rimet.

Taça Jules Rimet após ser recuperada por policiais britânicos - Central Press/Getty Images
Taça Jules Rimet após ser recuperada por policiais britânicos – Central Press/Getty Images

Um policial à paisana se encontrou com Jackson, portando uma maleta falsa recheada de jornais e coberta por uma camada de notas de £5, que autuou o suspeito. Durante a investigação, a polícia descobriu que “Jackson” era, na verdade, o ex-soldado Edward Betchley, de 46 anos — que negou a autoria do crime, dizendo que estava a mando de um homem chamado “The Pole”. Betchley cumpriu apenas dois anos de prisão por extorsão e faleceu em 1969.

Conforme repercutido pela BBC Brasil, o troféu, no entanto, só foi encontrado graças a um cachorrinho mestiço chamado Pickles, que o localizou escondido em um jardim no subúrbio de Londres, completamente embrulhado em papéis de jornal.

Cachorrinho Pickles, o "Herói da Copa" de 1966 no local em que encontrou a taça - Central Press/Getty Images
Cachorrinho Pickles, o “Herói da Copa” de 1966, no local em que encontrou a taça – Central Press/Getty Images

Quase duas décadas depois, a Jules Rimet foi alvo de um novo furto, mas dessa vez sem um final feliz. Após a Copa de 1970, a FIFA cumpriu a promessa feita pelo ex-presidente da instituição e entregou a taça para a primeira seleção tricampeã do mundo de forma definitiva: o Brasil.

Após as comemorações do campeonato, o troféu passou a ficar exposto na sala de troféus na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Rio de Janeiro, enquanto a réplica oficial permanecia dentro de um cofre. A segurança do item também era rigorosa, com a taça sendo protegida por uma caixa com vidros à prova de bala.

Infelizmente, o sistema desenvolvido não foi o suficiente. Em 19 de dezembro de 1983, a moldura que protegia a estatueta foi arrombada por invasores, e a Jules Rimet original nunca mais foi vista.

Réplica da taça Jules Rimet - Mary Turner/Getty Images
Réplica da taça Jules Rimet – Mary Turner/Getty Images

O roubo teria sido planejado pelo representante do Atlético-MG na CBF, Sérgio Peralta, que já tinha conhecimento do local, acompanhado de dois comparsas: Chico Barbudo (Francisco Rivera) e Luiz Bigode (José Luiz Vieira da Silva), que foram os responsáveis por render o vigia João Batista Maia, que estava sozinho, para invadir o prédio e realizar o crime.

Além da taça da Copa do Mundo, os assaltantes também teriam levado outros três troféus. Já a Jules Rimet, no entanto, teve um fim trágico. Segundo as investigações, a estatueta foi derretida e teve seu ouro contrabandeado para um comerciante de ouro argentino.

Os três suspeitos só foram oficialmente julgados e condenados em março de 1988, recebendo a sentença de nove anos de prisão — mas o cumprimento da pena não se deu de imediato. O trio fugiu e se tornou foragido da Justiça. Quando encontrados, acabaram não passando muito tempo na cadeia.

Luiz Bigode só foi preso em 1995, permanecendo em cárcere por apenas 3 anos em Bangu, cumprindo o resto de sua pena na Colônia Agrícola de Magé até 1998. Chico Barbudo foi morto com cinco tiros em um bar enquanto esperava o julgamento de um recurso em setembro de 1989, com suspeita de queima de arquivo.

Sérgio Peralta permaneceu como fugitivo por seis anos, em que ficou escondido enquanto trabalhava na residência de um empresário em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, até ser encontrado pela polícia em 1994. Mesmo com a fuga, o homem sempre negou a autoria do crime até a sua morte em 2003 por problema no coração.

Juan Carlos Hernandez, o comerciante argentino de ouro acusado como o responsável por derreter a Jules Rimet, também acabou na cadeia — mas não pelo crime envolvendo a taça. Ele foi preso no ano de 1998 em um terminal rodoviário na cidade de São Paulo por porte ilegal de drogas, cumprindo pena até 2005, quando recebeu liberdade condicional. Juan, contudo, nunca foi detido pelo envolvimento no roubo.

Daniela Bazi é jornalista graduada pela UNINOVE, e bruxa formada na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Amante de animações, filmes e séries, também é fã de divas pop, entusiasta da Disney e k-popper nas horas vagas.