‘Agente Kim: Reativado’: Dorama faz história com 1ª cena 100% criada por IA
Dorama de sucesso da Netflix, "Agente Kim: Reativado" exibiu a primeira cena produzida inteiramente por Inteligência Artificial na história da indústria

Um dos mais recentes sucessos da Netflix, o dorama “Agente Kim: Reativado” confirmou que a cena de abertura do seu segundo episódio foi produzida inteiramente por IA, sem nunca sequer ter passado pelo estúdio. Essa é a primeira vez na história dos dramas sul-coreanos em que uma cena produzida apenas por inteligência artificial é exibida. A informação é do Hankook Ilbo (via The Korea Times).
A sequência em questão é um flashback de 2008, que apresenta o gerente Kim (So Ji Sub) durante uma missão secreta solo na Coreia do Norte. Nela, vemos uma perseguição entre uma moto e um sedã preto dentro de um túnel na montanha. Em seguida, uma armadilha de arame faz com que o carro acabe capotando, levando um homem misterioso com máscara e uniforme militar norte-coreano a se aproximar do veículo antes de dar início a um tiroteio e embate corporal.
A cena finaliza com Kim imobilizando o oficial norte-coreano e o forçando a entrar no banco passageiro, saindo em alta velocidade do túnel. Antes de o carro ser jogado em direção à grade de proteção de uma ponte, caindo rio abaixo, ele diz: “Você vai morrer aqui comigo“.
Ao total, a sequência conta com apenas três minutos, mas que demorou um mês inteiro para ser gerada por inteligência artificial pela Morpheus Studio, utilizando a recém-lançada plataforma de criação de conteúdos com IA, o “AICRON”. Em declaração ao Hankook Ilbo, Ryu Jae Hwan, vice-presidente do estúdio e diretor supervisor de IA, explicou que o programa foi usado desde o planejamento e geração de imagens até a produção e edição de vídeo.
“Ao contrário dos efeitos visuais convencionais, que adicionam imagens geradas por computador a filmagens, a IA vai diretamente do texto para o vídeo. Até mesmo o rosto de So Ji Sub foi criado por meio de instruções, sem uma única foto de referência”, esclareceu o diretor.
Ryu ainda comentou que, ao ser contatado pela produção do dorama, hesitou em aceitar a proposta, pois “ainda há pouca experiência com IA para saber o que é possível sem tentar. Hesitei porque temia que a incerteza pudesse comprometer uma produção comercial. O diretor prontamente nos deu a autonomia e a autoridade necessárias, e isso nos deu a confiança para prosseguir.”
Segundo ele, seu principal objetivo era apresentar uma sequência que não parecesse que foi gerada por IA, principalmente os atores: “Os personagens podem não ser perfeitamente consistentes em termos de dados, mas visualmente parece que chegamos a um ponto em que os espectadores não percebem facilmente as diferenças”.
Além disso, Ryu Jae Hwan ainda comentou que gerar as cenas de ação foi o seu maior desafio, visto que as ferramentas “se recusavam a gerar cenas cruéis ou violentas”. Dessa forma, para conseguir criar o que precisavam, sua equipe passou a buscar por soluções alternativas, como instruir o sistema a incluir “jatos de ketchup” para simular o sangue.
“Por mais realistas que as imagens pareçam, os espectadores percebem quando a fluidez está errada. Nossa abordagem foi como se estivéssemos filmando com atores reais, com atenção especial à construção e direção de cada cena, utilizando a gramática visual do cinema”, finalizou o diretor.